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Capitalismo: uma história de amor


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Eu não sei se este filme já chegou oficialmente no Brasil, mas “Capitalismo: uma história de amor” (do inglês Capitalism: a love story) é um documentário do diretor Michael Moore que retrata algumas facetas bastante particulares do sistema capitalista norte-americano, com ênfase nos acontecimentos dos últimos anos do governo Bush e a crise do subprime.

Este filme me chamou a atenção para um problema muito sério que ocorre no mundo inteiro, e não poderia ser diferente no Brasil, que é a exploração do ser humano para obtenção de lucro. Pode parecer estranho falar sobre um assunto polêmico como este num site de finanças pessoais, porém vejo uma grande oportunidade para ajudar na educação financeira dos meus clientes e visitantes com esta perspectiva que vou lhes apresentar nos parágrafos a seguir.

Primeiro, gostaria de esclarecer que eu sou um capitalista assumido, tanto acredito no sistema financeiro que passo a investir boa parte do meu tempo estudando-o com o objetivo de compreendê-lo cada vez mais. E quanto mais eu estudo mais eu me sinto maravilhado com as definições e conceitos teóricos sobre como tudo deveria funcionar, mas por outro lado, me sinto mais e mais decepcionado sobre como as coisas de fato funcionam.

O que acontece é que as pessoas que tem mais conhecimento dos mecanismos do sistema tiram proveito deste conhecimento oferecendo produtos com o mínimo de informação possível para pessoas leigas, com o objetivo puro e simples de tirar proveito. Os empréstimos mais lucrativos são concedidos a pessoas pobres, enquanto pessoas ricas e grandes corporações pagam as menores taxas. E infelizmente, o desequilíbrio do conhecimento tende a aumentar, visto que os que sabem mais enriquecem e proporcionam as melhores condições de estudos para seus filhos, mantendo a situação por sucessivas gerações.

Sem entrar muito neste assunto, que daria vários artigos a respeito, lembro que meu objetivo como consultor financeiro é justamente corrigir este desequilibrio de conhecimento para os meus clientes, de forma que, se eles não tem a mão os melhores produtos disponíveis para aplicar, que pelo menos façam o melhor uso daqueles que estão a mão.

Eu gosto do sistema capitalista pelo fato deste sistema permitir um alto grau de liberdade para os seus individuos, e também assumo que o fato deste sistema oferecer oportunidades para o enriquecimento financeiro é uma idéia que me apela profundamente. No entanto, tenho plena consciência de que este apelo é motivado principalmente pela ganância inerente do ser humano. Às vezes é difícil de admitir, mas a maioria de nós, se não todos, somos gananciosos.

O sistema capitalista de fato oferece estas oportunidades, mas os mecanismos pelos quais elas se tornam acessíveis permanecem ocultos da população em geral. O que existe é um grande desconhecimento, falha enorme no nosso sistema de ensino, sobre como gerenciar o dinheiro a um nível doméstico e pessoal. Nós somos imersos num sistema capitalista desde o momento que nascemos, porém nunca nos foi passado um livro de regras explicando exatamente como funciona. Acabamos por auto-didatas neste sistema, fundamentando nosso conhecimento principalmente no empirismo, o que por vez causa muitos problemas no gerenciamento financeiro pessoal. Salvo algumas pessoas que buscam o caminho do aprendizado do sistema, como foi o meu caso, a grande maioria esta fadada a cometer um erro financeiro a qualquer momento, não por falta de inteligência, mas sim por causa do desconhecimento dos mecanismos de funcionamento do sistema.

Fazendo uma analogia, é como se nos dessem uma máquina de Raio-X de presente sem manual de instruções, apenas com algumas dicas de como operá-la. Entre estas dicas a pessoa fala para você que a nitidez da chapa do raio-X é proporcional a quantidade de raios que você calibrar na máquina. Maravilhados pela tecnologia fazemos milhares de chapas de nós e nossos amigos, às vezes por pura diversão, com a maior carga de raios possível para obter a imagem mais nítida. E nos orgulhamos que o nosso exame é melhor que o de muitos médicos por aí. Porém, como não conhecemos como configurar corretamente a máquina, estamos colocando uma carga de raios que é sabidamente cancerígena no meio técnico, mas como leigos não temos como saber. Finalmente, a consequencia destes atos sem embasamento técnico se manifestam depois de alguns anos: o câncer, por efeito cumulativo da radiação.

No sistema financeiro, o equivalente a esta hipotética máquina de raios-X é o sistema de crédito e empréstimos ao consumidor. Iludidos pelas aparentes vantagens (e sem embasamento técnico para orientar a decisão), as pessoas contratam tantos empréstimos quanto podem pegar, pelos maiores prazos possíveis e pelo único critério que conhecem: o preço da parcela. É como se esta parcela fosse a nitidez da chapa de raio-X, é o efeito visível e palpável. O efeito indireto (no RX: câncer devido a incidência cumulativa de raios) é a dívida que cresce sutilmente, quase desapercebida, culminando apenas anos no futuro quando a pessoa efetivamente quebra. Conheci pessoas que pagavam cerca de R$ 2.000,00 por mês apenas de JUROS, ou seja, para manter a dívida no patamar atual, sem amortizar o débito.

Este câncer do sistema financeiro, se é ruim para a população, por outro lado é ótimo para os administradores e gestores dos bancos, que multiplicam inúmeras vezes o seu capital vendendo produtos fundamentados no desconhecimento. Uma pessoa informada, por exemplo, jamais compraria um título de capitalização, que só paga correção monetária. Mas os gestores agregam a este produto um sorteio e fazem o maior sucesso, pois o cliente desinformado acaba vencido pelo apelo comercial, da propaganda com o ator sorridente curtindo uma bela vista para o mar porque acaba de ganhar no “qualquer-coisa-cap”. Isso sem falar que para sacar este dinheiro antes do prazo é aplicado ainda um redutor no seu valor!

Se você gosta de sorteios, aplique seu dinheiro de verdade no Tesouro Direto, e reserve R$ 1,50 por semana para apostar na Mega Sena. Além do prêmio ser muito mais significativo se você realmente ganhar, pode ficar tranquilo que não ganhando pelo menos seu dinheiro aplicado está aumentando de valor.

Concluo dizendo que o problema deste país está no desconhecimento da população sobre o assunto sistema financeiro. Quando se trata de finanças, nossa educação é extremamente falha, e o pior, de propósito. Eu gosto do sistema capitalista, porém é triste ver este tipo de exploração acontecendo todos os dias. Existe espaço sim para que as pessoas ganhem dinheiro sem precisar pisar em cima umas das outras, mas só vamos conseguir isso quando a educação financeira sair das universidades e passar a integrar o nosso dia a dia, desde a primeira série do fundamental. Não dá para viver com consciência num mundo onde não conhecemos as regras.

Caso ainda não conheçam, eu recomendo Capitalismo: uma história de amor de Michael Moore, um ótimo filme para despertar a reflexão sobre o mundo em que vivemos.

A importância do planejamento financeiro

Estou certo de que muitos de vocês já ouviram falar de planejamento financeiro, mas geralmente existe uma grande distância entre o conhecimento do assunto e a sua aplicação efetiva. Hoje vamos falar sobre como o planejamento financeiro pode alterar o rumo de nossas vidas. O planejamento financeiro consiste basicamente num mecanismo de troca de recompensas. Vou explicar primeiro o que é uma recompensa para depois explicar o que é a troca:

Uma recompensa é tudo aquilo que compramos com nosso dinheiro para obter alguma satisfação pessoal. Falo recompensa e não “presente”, ou qualquer outro termo, porque em recompensa está implícito que houve um sacrifício para obtê-la. No sistema capitalista o processo de obter dinheiro, para a grande maioria das pessoas, envolve uma grande quantidade de sacrifício e, portanto, é um fato gerador de estresse para as pessoas. As recompensas são formas de aliviar este estresse e, de certa forma, são o objetivo do nosso trabalho.

Em outras palavras, trabalhamos porque queremos comprar coisas. O trabalho é estressante, mas quando sabemos que este trabalho vai nos permitir saciar um determinado desejo, nos contentamos (até um certo ponto) com a finalidade de realizar aquele desejo. Então o sistema capitalista depende exclusivamente da disponibilidade de objetos de desejo para as pessoas, para motivá-las a trabalhar e pagar pelos produtos. E é através deste trabalho que se criam os mais variados produtos. Existe ainda um tipo de trabalho que não serve para gerar produtos, mas sim de gerar desejo pelos produtos: o marketing. Trata-se portanto de um ciclo vicioso, cujo objetivo final é manter as pessoas focadas em objetivos concretos materiais.

É responsabilidade do marketing também criar desejos de curto prazo nas pessoas, forçando-as a girar o dinheiro mais rápido na economia, usando estratégias que tiram o poder de pensamento da pessoa induzindo-a a agir por impulso. Um destes esquemas pode ser exemplificado pela moda: ou você compra determinada roupa naquele momento, ou depois já será tarde demais, pois a moda vai trocar de estação e “o azul será o novo roxo”. Mas moda não é exclusividade de roupas: funciona para computadores, video games, veículos e até mesmo casas e apartamentos. Temos já tivemos a moda dos carros conversíveis, do Land Hoover e agora dos carros minis.

A moda garante que a recompensa por determinado produto seja vinculada a um exato momento no tempo. Em 1990 quem comprasse um Mega Drive era “a bola da vez”, hoje este video game só se encontra nas casas mais simples, ou quando muito nas mãos de um colecionador. Se você fosse uma criança ou jovem em 1990, que resolvesse adiar a recompensa para comprá-lo apenas em 2000, com certeza pagaria muito mais barato, mas teria perdido todas as vantagens de socialização que este produto permitia na época, ou seja, teria perdido grande parte do valor da recompensa.

O sistema nos pressiona a querer as recompensas na hora, pois ele mesmo se encarrega de que no futuro aquele mesmo produto perca o seu valor. E aí que reside o grande problema do planejamento financeiro: como convencer as pessoas a adiar o seu prazer?

Aliás, muitas pessoas são capazes de conversar por horas a respeito de planejamento financeiro, mas no instante seguinte em que a conversa acaba, passam pela frente de uma loja onde na vitrine está exposto um artigo de desejo e repentinamente tudo o que foi conversado simplesmente evapora em troca do simples argumento “É só R$ x,xx, isso não vai fazer diferença”.

O fato é: planejamento financeiro consiste, principalmente, em abrir mão dos desejos mais imediatos em prol de um bem maior, uma recompensa maior. Portanto, o primeiro passo para um planejamento financeiro de sucesso é a definição de uma escala de custos: pode ser do mais caro para o mais barato ou vice-versa, o que importa é saber quanto dinheiro é gasto para realizar cada sonho.

Em seguida, partimos para o cálculo do custo benefício de cada uma destas recompensas, de forma a estabelecer prioridades. Estas prioridades deverão definir a nossa conduta com relação a compra de determinados produtos e também a reserva de dinheiro para produtos mais caros. É necessário estabelecer um equilíbrio entre os prazos de modo que não haja um espaço muito grande entre uma recompensa e outra, o que é um fato gerador de estresse, mas também que o espaço seja tal que permita uma acumulação de recursos para a compra de recompensas maiores no futuro.

Fica mais fácil se trabalharmos com exemplos. Imagine que você gaste R$ 500,00 mensais com produtos de baixo custo para satisfazer suas necessidades pessoais. Mas você sonha com uma TV de última geração que custa R$ 10.000,00. Mesmo que você parcele em 12x sem juros, será um gasto de aproximadamente R$ 833,00 todo mês durante o próximo ano, mais de R$ 300,00 (60%) acima do gasto usual. Ou seja, mesmo que você tenha o crédito para comprá-la, estará se endividando muito mais do que está preparado, e portanto muito provavelmente irá ter que pagar mais caro do que o esperado por este produto. Agora, caso você reduza os seus gastos mensais para digamos R$ 200,00 e economize R$ 300,00 por mês com a finalidade de comprar esta TV, daqui a 2 anos você terá acumulado mais de R$ 8.000,00 o que permite a compra de modo confortável (pois em 2 anos a TV certamente terá baixado de preço).

Outra vantagem de economizar é que estamos falando em aplicar este dinheiro para render juros, ao contrário de apenas guardá-lo debaixo do colchão. Nestes 2 anos você terá depositado R$ 7.200,00 em um investimento, para sacar R$ 8.000,00 – mais de 2 meses adicionais de dinheiro que apareceram apenas pelo fato de deixar o dinheiro aplicado.

Enfim, o planejamento financeiro se torna muito mais fácil quando sabemos porque estamos economizando. Além disso, encontrar o ponto de equilibrio entre curto e longo prazo é o passo fundamental para criar um planejamento sustentável. O que devemos evitar é cair nas armadilhas do marketing e nos tornarmos devoradores de produtos novos: isto só faz bem para as operadoras de cartão de crédito.

Quem você procura para obter conselhos sobre finanças?

Pense rápido: você está com algum problema de ordem financeira, seja uma dívida pendente ou um dinheiro sobrando que você quer investir. Para quem você recorre para resolver o seu problema: o gerente do banco ou um consultor financeiro?

Acredito que não seja surpresa nenhuma que as pessoas em geral, quando se deparam com um problema financeiro, procuram o auxilio profissional na figura do gerente do banco. A lógica é simples: as pessoas estão acostumadas a enchergar o banco como o representante máximo do sistema financeiro.

Afinal, eles lidam com o dinheiro de tanta gente, fazem tantas operações complicadas e ouvimos o tempo todo como eles lucram rios de dinheiro… não deve existir ninguém mais adequado para fornecer orientações sobre como usar melhor o dinheiro, não é mesmo?

Esta visão popular de fato contém uma meia-verdade: o banco realmente sabe a melhor maneira de administrar o seu dinheiro. O problema é que não é isso que ele faz.

O banco funciona, dentro do sistema capitalista, como qualquer outro tipo de comércio: ele oferece produtos com o objetivo de obter lucro. Agora, como ele poderá oferecer a você a melhor opção de produto financeiro, a que trás mais lucro – ou menos prejuízo – para você, sem sacrificar a sua própria margem de lucro? O fato é que não existe milagre: se o banco resolve te pagar mais dinheiro ele está diminuindo o próprio lucro. E não é isso que ele quer!

O gerente do banco na condição de empregado naturalmente irá oferecer os produtos que mais favorecem o seu patrão. Mesmo porque existem comissões a receber e metas a serem cumpridas. Quem nunca foi fazer uma atualização de cadastro, abertura de conta, ou qualquer outro procedimento burocrático, e nunca escutou: “Não quer aproveitar para fazer uma capitalização? É barato e você concorre a prêmios toda semana!”

O fato é que o lucro de uma capitalização, para o banco, pode ultrapassar 100% do valor aplicado. A poupança é outro produto que é oferecido com frequência, que também tem uma lucratividade altíssima.

Agora quando você pergunta sobre ações ou títulos do tesouro, o gerente até muda de cor e parece que você está falando outra lingua. Alguns até se esforçam para ajudar, mas muito poucos estão realmente preparados para lidar com este tipo de questão. O motivo é simples: vender este tipo de produto não é o objetivo deles.

Eu mesmo já me deparei com muitos gerentes que mesmo conhecendo a minha conta, que incluem aplicações em títulos do tesouro e ações, ainda insistem em oferecer uma “capitalização”. Eu procuro recusar polidamente, pois discutir detalhes técnicos é no mínimo improdutivo e também já me causou algumas situações desagradáveis.

Mas se o banco não é um bom lugar para procurar auxilio, qual é a alternativa? A resposta está na ponta da língua: o consultor financeiro! O objetivo principal do consultor é otimizar a conta do cliente em termos de risco e remuneração. A diferença principal no modelo de negócios entre o consultor financeiro e o banco é que o consultor não está vinculado aos produtos financeiros que recomenda, ou seja, não há preferência em recomendar um produto ou outro porque ele é mais rentável para o consultor.

Em termos de custo, na consultoria financeira geralmente é cobrada uma taxa fixa por consulta. Esta taxa varia muito no mercado, pois não existe uma padronização oficial. Cabe ao cliente avaliar o preço do serviço com relação a qualificação do profissional contratado e o serviço que ele oferece. Pela minha experiência, um preço justo para a consultoria financeira para a maioria das pessoasgira em torno de R$ 300,00 a R$ 500,00 por consulta.

No entanto existem profissionais no mercado que cobram R$ 1.000,00 ou mais e valem cada centavo. Tudo depende do tamanho da sua conta. Vale lembrar que o mercado financeiro é composto por todo um espectro de pessoas que possuem contas que variam de alguns milhares de reais a muitos milhões, então as noções de barato ou caro são muito relativas.

O importante é ter em mente que se você busca otimizar os seus rendimentos, o caminho correto é a consultoria financeira, uma vez que o gerente do banco sempre terá aquele viés de obter o maior lucro para si, prejudicando com isso a rentabilidade do cliente.

A Bola de Neve em promoção no Submarino

Para os amantes de uma boa leitura, o livro A Bola de Neve, de Alice Schroeder, está em promoção no site Submarino. O livro que costuma custar R$ 49,90 está saindo apenas R$ 15,90. Para quem não conhece, A Bola de Neve é a biografia autorizada de Warren Buffet, o maior investidor de todos os tempos e atualmente o segundo homem mais rico do mundo, perdendo apenas para Bill Gates.

Abaixo, segue a sinopse do livro:

“A vida é como uma bola de neve. O importante é encontrar neve úmida e uma colina bem longa.” – Warren Buffett

Este é o livro definitivo sobre a vida de um dos homens mais respeitados e fascinantes do mundo: Warren Buffett. O lendário investidor pela primeira vez autorizou alguém a produzir sua biografia, concedendo a Alice Schroeder acesso irrestrito a seus familiares, amigos e parceiros ? e, é claro, a ele mesmo.

A autora mergulhou a fundo na vida do empresário, desvendando sua personalidade, suas lutas, seus triunfos e seus momentos de sabedoria e de insensatez. O resultado é a história de um dos maiores personagens de nosso tempo, uma figura complexa e interessante que se tornou uma lenda viva pela fortuna que construiu e, sobretudo, pelas idéias, causas e valores que defendeu.

Esta biografia revela o homem por trás do mito e mostra como sua obstinação e seu talento foram sendo lapidados desde garoto – aos 6 anos, ele procurava lucrar vendendo chicletes, aos 7 pediu de presente um livro sobre o mercado de ações, aos 10 fez sua primeira visita à bolsa de valores e, aos 11, seu primeiro investimento.

Apresentando a trajetória de Buffett desde sua infância, nos anos que se seguiram à Grande Depressão, até os dias de hoje, A Bola de Neve conta surpreendentes episódios da vida do empresário que, com sua conduta ética e disciplinada, tratou investidores como sócios e sempre pregou a honestidade como investidor, conselheiro e palestrante.

Ao longo de 60 anos, Buffett fez fortuna identificando valor onde ninguém via e aproveitando-se dos momentos de crise enquanto a maior parte dos investidores recuava. Dono de um profundo conhecimento e instinto empresarial, além de uma notável capacidade de fazer amigos, sua vida é uma verdadeira aula de negócios, cheia de histórias saborosas e de ensinamentos valiosos. Como qualquer ser humano, Warren Buffett é uma mistura de força e fragilidade. Por mais notável que seja sua conta bancária, seu legado não é simplesmente a posição que ocupa no ranking das maiores fortunas, mas os princípios e ideais que enriqueceram a vida de tantas pessoas ao redor do mundo.

Se interessou pelo livro? Clique aqui para acessar o site do Submarino.

A bola de neve: Warren Buffett e o negócio da vida

Dinheiro gera dinheiro

Uma característica muito importante do capitalismo moderno é a capacidade do dinheiro gerar mais dinheiro através de operações financeiras. Já comentei anteriormente sobre o valor do tempo sobre o dinheiro, no qual adquirir o dinheiro imediatamente através de uma operação de empréstimo significa um prejuízo no médio ou longo prazo para aquele que toma emprestado e do outro lado representa lucro para aquele que empresta. Partindo do ponto de vista de quem cedeu o dinheiro, esta operação financeira mostrou a capacidade de usar o dinheiro para gerar mais dinheiro.

Os bancos utilizam este recurso o tempo todo, sendo que fornecer crédito tornou-se um negócio tão lucrativo que raramente vemos um banco tendo prejuízo. Várias modalidades de empréstimo foram criadas para aumentar ainda mais a lucratividade das operações de crédito e dentre elas podemos citar o cheque especial ou limite da conta corrente, o cartão de crédito e o crédito consignado. A facilidade de se adquirir crédito também aumentou muito, compensada pelos juros altíssimos.

Para o banco é interessantíssimo emprestar dinheiro, pois obtém uma rentabilidade que outras operações financeiras raramente atingem, variando de 10 a 20% ao mês. Tomando um período de 1 ano este rendimento pode chegar em torno de 200%, ou seja, triplicando o capital aplicado.

O mais interessante é que o dinheiro que o banco usa para emprestar aos seus clientes é justamente aquele que o correntista aplica em investimentos como a poupança e o CDB. Tomando como base uma aplicação de renda fixa que dê um retorno de 1% ao mês (em geral é menos que isso, mas vamos facilitar as contas), o banco então está pagando a você 1% de juros para ficar com o seu dinheiro em seus cofres. Em contrapartida, alguém que peça um empréstimo ao banco vai pagar juros ao banco em torno de 10% (dependendo da operação).

Tirando o 1% que o banco paga a você, 9% é o retorno do banco desta operação financeira. Esta diferença de custo entre a captação do dinheiro e o preço pelo qual se cobra pelo crédito é chamada de spread. Ainda existem algumas taxas cobradas em cima deste valor, como por exemplo, o imposto sobre operações financeiras, mas essencialmente o banco ainda consegue tirar em torno de 50% do spread como lucro nestas operações. E o melhor: ele está apenas manipulando o dinheiro que não é dele.

Infelizmente não existe para a pessoa física uma mina de dinheiro tão boa quanto esta, e enquanto não podemos comprar um banco o que nos resta é analisar as melhores opções de investimentos dentro do sistema de spread.
Os fundos de renda fixa costumavam ser uma boa opção conservadora com um rendimento razoável, próximo de 1%, porém devemos ficar atentos hoje em dia por causa da redução da taxa SELIC.

A SELIC é a taxa base de juros da economia e que compõe parte do cálculo do spread bancário. E como é de se esperar, uma redução dos juros não é interessante para o banco, que diminui o seu lucro em função da redução do spread. O que está acontecendo para compensar este movimento, como sempre, é repassar o custo para o consumidor, que neste caso é o cliente que investe nos fundos de renda fixa e demais investimentos no banco.

Desta forma, o rendimento pago ao investidor é reduzido em prol de manter a margem de lucro do banco. Às vezes esta diferença não está muito clara, por isso é importante conferir com o seu banco o prospecto do fundo de investimento no qual deseja investir, ficando atento às taxas de administração.

Uma alternativa para escapar dos bancos nessa hora e manter-se conservador é o investimento em títulos do tesouro pelo Tesouro Direto. Este é um investimento bastante seguro, pois você estará negociando diretamente com o governo federal e garante um rendimento equivalente, ou melhor, aos fundos de investimento. Ou para os mais agressivos, insisto que é um bom momento para investir na bolsa de valores, pois muitas ações estão defasadas com seus valores em relação ao que já foram nos anos anteriores.

O importante é acima de tudo fazer o seu dinheiro trabalhar para você, colocando em prática o conceito de que dinheiro gera dinheiro.

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